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Bolsonaro nega relação com milícia, diz que Adriano não tem condenação definitiva mas não explica mãe e mulher de miliciano em gabinete de Flávio

Miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega (Foto: Reprodução)
Miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega (Foto: Reprodução)

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Miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega (Foto: Reprodução)

Em 12 de agosto de 2003, o deputado federal Jair Bolsonaro saudou o “crime de extermínio” em discurso na Câmara Federal.

“Se não houver espaço para ele [crime de extermínio] na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio, porque no meu Estado só as pessoas inocentes são dizimadas”, afirmou na fala.

O filho de Jair Bolsonaro, então deputado estadual Flávio, também elogiou as milícias durante sua atuação parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

“A milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos. Em todas essas milícias sempre há um, dois, três policiais que são da comunidade e contam com a ajuda de outros colegas de farda para somar forças e tentar garantir o mínimo de segurança nos locais onde moram. Há uma série de benefícios nisso”, afirmou Flávio em sua fala.

Em dezembro de 2008, Jair Bolsonaro criticou o relatório final da CPI das Milícias, presidida na Alerj por Marcelo Freixo, então deputado estadual.

Na ocasião, novo elogio a milicianos:

“Existe miliciano que não tem nada a ver com gatonet, com venda de gás. Como ele ganha 850 reais por mês, que é quanto ganha um soldado da PM ou do bombeiro, e tem a sua própria arma, ele organiza a segurança na sua comunidade. Nada a ver com milícia ou exploração de gatonet, venda de gás ou transporte alternativo. Então, Sr. Presidente, não podemos generalizar”, afirmou Bolsonaro.

Hoje, em cerimônia no Rio ao lado de Flávio Bolsonaro, o presidente da República disse que foi ele quem determinou que o filho homenageasse o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega com a mais alta condecoração do Rio de Janeiro, a medalha Tiradentes, em 2005.

“Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando o capitão Adriano por nada. Sem querer defendê-lo. Desconheço a vida pregressa dele. Naquele ano (2005), era herói da Polícia Militar. Como é muito comum, um PM quando está em operação mata vagabundo, traficante”, afirmou Bolsonaro, de acordo com O Globo.

Adriano estava preso quando recebeu a homenagem, acusado de homicídio. Em seguida ele seria condenado pelo crime. Bolsonaro compareceu ao julgamento do então sub-tenente da PM e subiu à tribuna da Câmara para criticar a condenação, posteriormente revertida.

No evento de hoje, Bolsonaro e o filho Flávio negaram qualquer relação com milícias do Rio.

Os dois não responderam às perguntas sobre a contratação da mãe e da esposa de Adriano para trabalhar no gabinete de Flávio.

Danielle, hoje ex-mulher, foi empregada em 6 de setembro de 2007 e demitida apenas em 13 de novembro de 2018.

Raimunda, a mãe, trabalhou primeiro no gabinete da liderança do PP, partido de Flávio à época, antes de migrar para o gabinete do filho de Bolsonaro.

Danielle e Raimunda receberam na Alerj um total de R$ 1.029.042,48, do qual repassaram R$ 203.002,57 a Fabrício Queiroz, de acordo com o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.

Outros R$ 202.184, 64 foram sacados em dinheiro.

As duas são suspeitas de terem sido funcionárias fantasmas, que participaram do esquema de rachadinha pilotado por Fabrício Queiroz.

O destinatário final do esquema seria Flávio Bolsonaro, que nega.

“Vocês estão passando para o absurdo”, disse Jair Bolsonaro quando questionado pela repórter da Folha de S. Paulo sobre a contratação das duas.

“Fica quieta, vai, deixa ele falar. Educação”, voltou a falar o presidente da República, quando a repórter tentou insistir sobre o tema com Flávio.

O senador disse que sempre homenageou policiais e que a medalha a Adriano foi concedida “há 15 anos”.

Adriano foi expulso da Polícia Militar por envolvimento com o crime organizado em dezembro de 2013.

Flávio Bolsonaro não explicou o motivo de ter mantido a esposa de Adriano em seu gabinete depois da expulsão, nem a contratação posterior da mãe do capitão, Raimunda, em 2 de março de 2015 (liderança do PP) e em 29 de junho de 2016 (gabinete parlamentar).

Abaixo, o discurso de Jair Bolsonaro sobre os crimes de extermínio, feito em agosto de 2003:

O SR. JAIR BOLSONARO (PTB-RJ. Sem revisão do orador.) — Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, desde que a política de direitos humanos chegou ao País a violência só aumentou e passou a ocupar grandes espaços nos jornais.

A marginalidade tem estado cada vez mais à vontade, tendo em vista os advogados para defendê-la.

Quero dizer aos companheiros da Bahia — há pouco ouvi um Parlamentar criticar os grupos de extermínio — que enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo.

Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio, porque no meu Estado só as pessoas inocentes são dizimadas.

Na Bahia, pelas informações que tenho — lógico que são grupos ilegais —, a marginalidade tem decrescido. Meus parabéns!

Outra questão que quero enfatizar é que o País não pode discutir a diminuição da fome, da miséria e da violência se não discutirmos antes uma rígida política de controle da natalidade.

Chega de vaselina, de baboseira, de falar em educação, em saúde, porque esta não é a nossa realidade primeira. Não vamos atingir nossos objetivos se não atacarmos o descontrole da natalidade.

Agora há pouco uma Parlamentar do PT estava dizendo que um jovem, numa escola dessas de recuperação, agradeceu porque não mais cheirava e agora já sabia escrever o seu nome.

Ora, Sr. Presidente, demagogia barata igual a essa é uma vergonha para o Parlamentar! Não é porque uma pessoa sabe ler e escrever que está livre da marginalidade.

Temos de adotar urgentemente, sim, contra tudo e contra todos os defensores de direitos humanos, uma rígida política de controle da natalidade.

Chega de não darmos meios para evitar que casais coloquem no mundo mais crianças que não terão a mínima condição de cidadania no futuro.

Tenho uma proposta modesta: a liberação da laqueadura e da vasectomia para todos os maiores de 18 anos.

Espero ter o apoio dos meus pares. Talvez seja verdadeiramente o primeiro passo para o fim da miséria e da violência em nosso País.

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