O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou sem resposta direta a maior parte das perguntas que recebeu no primeiro debate do segundo turno, realizado pela Band no domingo, 18.
Das 21 perguntas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela mediação, o candidato do PL respondeu ao ponto central em apenas cinco. Em outras 11, respondeu parcialmente e, em outras cinco, mudou de assunto ou contra-atacou. Os dados são do levantamento feito pelo portal Brasil de Fato, baseado na íntegra da transmissão.
Um dos temas mais recorrentes foi o destino dos R$ 134 milhões negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula abordou o assunto ao menos sete vezes durante o debate.
Flávio afirmou que o dinheiro seria destinado ao filme, mas não detalhou o percurso dos recursos. “Já expliquei várias vezes. Vou explicar quanto for necessário”, declarou. Em seguida, disse que já havia prestado os esclarecimentos que considerava necessários.
Outro assunto foi a compra de um imóvel que, segundo Lula, custou R$ 10 milhões e teve parte do pagamento associada a recursos do Banco de Brasília (BRB), instituição envolvida no caso Master.
Flávio respondeu que comprar um bem “com o suor do seu trabalho” não seria um problema e criticou o filho do presidente, Lulinha. Lula retomou a questão no fim do debate, mas não obteve uma resposta específica sobre o BRB.
Voto sobre licença-maternidade também foi questionado
Lula perguntou por que Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual, teria sido o único dos 49 parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a votar contra uma proposta de ampliação, em dois meses, da licença-maternidade das funcionárias da Casa, em 2009.
“O que você tem contra as mulheres?”, questionou o presidente. Flávio negou ter algo contra as mulheres, citou a esposa e as filhas e mudou o assunto para a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.
“Você não respondeu à pergunta […]. Por que você votou contra?”, insistiu Lula. O senador não apresentou uma explicação específica para o voto.
O presidente também questionou a contratação de familiares de uma pessoa que, segundo ele, estaria ligada ao chamado Escritório do Crime, grupo criminoso apontado como envolvido em homicídios no Rio de Janeiro.
Flávio respondeu com críticas ao governo petista e citou pessoas condenadas em processos relacionados ao Mensalão e à Petrobras. “Eu fiz três perguntas e você não respondeu a nenhuma”, rebateu Lula.
Milei e hospitais federais do Rio
Lula perguntou três vezes se Flávio Bolsonaro considera o presidente argentino Javier Milei um modelo de governo e se adotaria medidas de corte de gastos semelhantes às representadas pela motosserra usada pelo argentino em atos públicos.
O senador não respondeu diretamente se tem Milei como referência. Em vez disso, criticou os aliados internacionais de Lula, citando Nicarágua, Venezuela e Irã, e afirmou que a direita pretende corrigir problemas que, segundo ele, foram deixados pela esquerda. Também prometeu um “tesouraço na corrupção”.
A situação dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro foi outro tema levantado pelo presidente. Flávio classificou as declarações de Lula como mentirosas e passou a abordar outros assuntos, sem tratar especificamente das unidades de saúde.
Caso de policial e desafio sobre sigilos
Lula também perguntou duas vezes por que Flávio Bolsonaro teria atuado, como senador, para evitar a prisão de um policial acusado de matar uma criança de cinco anos com um tiro de fuzil.
O candidato do PL questionou o presidente sobre a proporção de presos que, segundo ele, teriam votado em Lula. Depois, afirmou que o chefe do Executivo “não pode criminalizar a advocacia” e argumentou que o policial ainda não havia sido julgado. Não explicou sua própria atuação no caso.
Na parte final do debate, Lula desafiou o adversário a abrir, no dia seguinte, os sigilos bancário e telefônico das duas famílias e entregar as informações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes da eleição.
“Eu não tenho absolutamente nada a esconder”, respondeu Flávio, que, em seguida, acusou Lula de receber dinheiro “por fora”. O senador não aceitou nem recusou de forma explícita o desafio.

