Entender o passado é essencial para avaliar o presente e preservar o futuro. É com essa premissa que uma reportagem de Camila Veras Mota para a BBC Brasil narra a trajetória de Jair Bolsonaro, de capitão considerado indisciplinado no Exército a presidente da República condenado por tentativa de golpe. O vídeo reconstrói como o ex-militar, inicialmente tratado como figura folclórica e sem nenhum prestígio político, se tornou o “messias” da direita brasileira.
Afastado da carreira militar após sucessivas punições, Bolsonaro chegou a ser investigado, nos anos 1980, sob acusação de planejar um atentado a bomba em quartéis — foi absolvido por 9 votos a 4 no Superior Tribunal Militar. Ainda assim, depois de 15 dias preso, ficou restrito em determinados ambientes militares e deixou a corporação com imagem de oficial problemático.
Na política, elegeu-se vereador no Rio de Janeiro em 1988 e, dois anos depois, deputado federal, cargo que ocupou por sete mandatos consecutivos. Durante 28 anos na Câmara, foi considerado parte do “baixo clero” da Câmara, com pouca relevância legislativa. Em 28 anos apresentou centenas de proposições, mas apenas duas foram aproveitadas, e se tornaram lei. Sua notoriedade cresceu a partir de declarações polêmicas, sobretudo contra a população LGBT, contra direitos humanos e em defesa da ditadura militar.
A guinada na carreira veio em 2010, quando, no contexto da Comissão Nacional da Verdade, Bolsonaro passou a defender abertamente os militares e a criticar vítimas da ditadura. O posicionamento aproximou-o novamente de setores das Forças Armadas e consolidou sua imagem como porta-voz de causas conservadoras. Ao mesmo tempo, ganhou espaço em programas de televisão, onde era frequentemente alvo de chacota, mas também ampliava sua visibilidade.
A partir daí, ele passa a despertar o interesse dos militares, e do grande parte do povo evangélico, que viram nele um messias, ‘um salvador da patria’. Com base em pautas morais, discursos de caráter religioso e forte apelo ao público da fé evangélica, Bolsonaro se consolidou como liderança nacional da direita e ‘dos crentes’ – mesmo suas atitudes sendo gritantemente contrárias aos mandamentos cristãos, que buscava um nome competitivo contra o PT após sucessivas derrotas eleitorais. Esse caminho culminou na vitória presidencial em 2018 e, posteriormente, na condenação por abuso de poder político e tentativa de golpe de Estado, após os ataques de 8 de janeiro de 2023.
Vendo o empenho para armar a população, e considerando que a esmagadora maioria dos que adquiriram arma de fogo e munição no volume como se viu, durante todo o seu governo foi de eleitores – e por que não dizer de ‘adoradores seus’, e a quantidade de provas sobre o golpe que tentou dar agora, e ainda uma entrevistas que deu nos anos 1990, falando abertamente em guerra civil e assassinato, sim, assassinato, do então presidente Fernando Henrique Cardoso, não seria de mais dizer que, sobre essas tantas armas liberadas, desde sempre tudo foi feito de caso pensado.
A reportagem completa da BBC detalha esse percurso e mostra como Bolsonaro deixou de ser um político periférico para se tornar o principal símbolo da direita brasileira contemporânea, você vê aqui.
