” border=”0″ alt=”Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)” title=”Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)” />
A aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou sua primeira recuperação consistente em seis meses, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (20). O levantamento mostra que 46% dos brasileiros aprovam Lula, ante 40% em junho. Já a desaprovação, que havia atingido 56% em março, caiu para 51%. Apesar da melhora, a rejeição ainda supera o apoio.
Para o CEO da Quaest, Felipe Nunes, a virada está relacionada a dois fatores principais: o alívio na inflação dos alimentos, que reduziu a pressão sobre o custo de vida, e a postura firme do presidente diante do chamado “tarifaço” imposto por Donald Trump, que elevou em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros. “Menos pressão inflacionária somada à imagem de um presidente que reage a desafios externos ajudam a explicar o avanço de sua aprovação neste momento”, avaliou.
O estudo aponta que a percepção qualitativa da população também se tornou mais equilibrada. O grupo que avalia o governo como positivo subiu para 31%, enquanto os que o consideram negativo recuaram para 39%. Já os que classificam como regular permanecem estáveis em 27%. Esse movimento indica que Lula deixou de estar acuado pelo pessimismo dominante no início do ano, ainda que não tenha retomado a hegemonia da narrativa.
Essa mudança de postura foi percebida e fortemente comentada na internet, após a nomeação do publicitário baiano, Sidônio Palmeira, para a chefia da Secretária de Comunicação Social, órgão responsável pela comunicação do Governo Federal. Desde então, Lula tem feito declarações e discursos mais parecidos com a postura forte e combativa, comuns ao seu perfil.
Análise regional
Regionalmente, o presidente segue forte no Nordeste, onde chega a 60% de aprovação, especialmente entre beneficiários do Bolsa Família. No Sudeste, que concentra a maior parte do eleitorado, a aprovação é de 42%, ainda abaixo da desaprovação, mas melhor do que os índices do primeiro semestre. No Sul, Lula mantém desempenho mais frágil, com 38% de apoio contra 61% de rejeição. No Centro-Oeste e no Norte, a aprovação fica em 44%, também inferior à desaprovação.
O perfil do apoio segue um padrão histórico. Entre famílias que ganham até dois salários mínimos, Lula alcança 55% de aprovação, enquanto entre os mais ricos, acima de cinco salários, esse índice cai para 39%. O recorte por escolaridade reforça a divisão: 56% dos que têm até o fundamental aprovam, contra 42% entre aqueles com ensino superior completo. No recorte religioso, Lula mantém maioria entre católicos, mas enfrenta rejeição mais dura entre evangélicos. A divisão também aparece por idade: jovens de 16 a 34 anos tendem a desaprovar, enquanto idosos acima de 60 anos se mostram mais favoráveis.
Economia e Donald Trump
Na economia, os números sugerem uma mudança de clima. A parcela dos que dizem que a situação piorou nos últimos 12 meses caiu de 56% em março para 46% em agosto, enquanto os que enxergam melhora subiram de 16% para 22%. O otimismo sobre o futuro também cresceu: 40% acreditam que a economia vai melhorar no próximo ano. A percepção sobre os preços dos alimentos, que foi um dos principais focos de insatisfação, também arrefeceu: em dezembro de 2024, 83% diziam que os preços haviam subido; agora, esse índice caiu para 60%.
Além da economia, o cenário internacional trouxe ganhos políticos para Lula. A reação às tarifas impostas por Donald Trump foi vista como sinal de liderança e defesa dos interesses nacionais. Quase metade dos entrevistados (49%) acredita que o presidente age em defesa do Brasil, enquanto 41% o acusam de se autopromover. A maioria dos brasileiros (67%) apoia a ideia de negociar com os Estados Unidos, em linha com a posição do Planalto.
Família Bolsonaro
A pesquisa mostra ainda que a comparação com Jair Bolsonaro segue sendo um trunfo para Lula: 43% consideram que o atual governo é melhor do que o anterior, contra 38% que veem como pior. Essa diferença ajuda o presidente a manter apoio em meio às dificuldades econômicas.
Apesar dos sinais de recuperação, o governo ainda enfrenta obstáculos. Para 57% da população, o Brasil segue na direção errada. O desemprego continua sendo uma preocupação: 55% dizem que está mais difícil conseguir trabalho do que há um ano, e 70% afirmam que hoje conseguem comprar menos do que em 2024.
