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Dívidas, depressão e suicídio. O outro lado do “tigrinho” que os influenciadores não mostram

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Dependência em jogos é considerada uma doença (Foto: Reprodução)

Endividamento, depressão, crimes, suicídio… O cenário no país após a proliferação das casas de apostas, as famosas bets é preocupante. Segundo o datatech BigDataCorp, o número de casas de apostas online mais do que dobrou no Brasil entre 2022 e 2024, passando de 840 para mais de 2100. Até o final do ano, a estimativa é de que mais de 1200 novas empresas sejam abertas no segmento.

A promessa de ganhos fáceis e o sonho de uma vida melhor tem inundado a mente de milhares de brasileiros. E o acesso é muito fácil, a internet foi inundada por propagandas de casas de apostas virtuais, disponíveis 24 horas e com métodos facilitados de depósitos. Em algumas situações, pessoas que jogam compulsivamente acabam apelando para empréstimos, uso do cartão de crédito ou até se dispõe de bens para financiar as apostas, afetando toda a família. 

A dependência em jogos é considerada uma doença, mas diferentemente da química, se estabelece por um comportamento. De acordo com especialistas, o problema já é classificado como uma epidemia de saúde mental por especialistas e movimenta um mercado bilionário no Brasil. São inúmeros casos de dependência, endividamento e registros mais graves como suicídio sendo compartilhados diariamente nos meios de comunicação e redes sociais. 

Uma dessas história é de Jéssica Lobo, 32 anos, que viu a vida mudar depois que sua irmã mais velha morreu. Ângela da Paz, 39, tinha vício em jogos de cassino on-line e estava endividada. Ela tirou a própria vida em Missão Velha (CE), em 12 de dezembro de 2023, após perder uma quantia significativa de dinheiro pelo vício em jogos. Angela era mãe de três filhos, acabou se endividando, e não vendo mais saída, atentou contra a própria vida. 

Jéssica só soube da dimensão da tragédia depois do enterro, ao ouvir os áudios e ler as mensagens deixados no celular: eram mais de 50 páginas de depósitos, empréstimos feitos no nome de outras pessoas, dívidas que passaram de 600 mil reais. 

A dor maior veio quando o sobrinho de 7 anos foi visto no cemitério, deitado sobre o túmulo da mãe, levando bolacha e água. Disse que ela devia estar com fome, já que não voltava mais pra casa. Fazia 15 dias que Angela tinha partido tragicamente. Essa imagem fez Jéssica transformar a dor da perda da irmã em acolhimento a outras pessoas que passam pelo mesmo.

Hoje, Jéssica coordena 21 grupos com quase 10 mil membros, todos com histórias parecidas: vergonha, dívidas, recaídas. Nesses grupos, muitos viciados não pedem ajuda nem para pessoas próximas por medo de serem julgados. Acompanhando de perto a CPI das Bets no Congresso, ela sofreu uma grande frustração sem a regulamentação das publicidades e vendo parlamentares tirando selfies durante os depoimentos. 

Procure Ajuda! 

Se você ou alguém que você conhece está enfrentando sofrimento emocional, procure apoio. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas por telefone, chat ou e-mail.

Confira no vídeo o depoimento completo de Jessica: 

https://youtu.be/BKNK6noFP3g?si=wEDDZwDwmajq4lDO

Ângela, Jéssica e a mãe (Foto: Arquivo Pessoal)

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