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BRASIL: Desigualdade de renda cai, mas 40% da população vive com R$ 601

Cerca de 40% da população vive com R$ 601 por mês, valor que não cobre sequer o custo de uma cesta básica em boa parte do país (Foto: Reprodução)
Cerca de 40% da população vive com R$ 601 por mês, valor que não cobre sequer o custo de uma cesta básica em boa parte do país (Foto: Reprodução)

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Cerca de 40% da população vive com R$ 601 por mês, valor que não cobre sequer o custo de uma cesta básica em boa parte do país (Foto: Reprodução)

A desigualdade de renda no Brasil diminuiu em 2024, mas os números ainda escancaram o abismo social do país: enquanto os 10% mais ricos recebem, em média, R$ 8.034 por mês, os 40% mais pobres vivem com apenas  R$ 601 — menos da metade do salário mínimo, que em 2024 era de R\$ 1.412.

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada nesta quinta-feira (8) pelo IBGE.

Isso significa que os 10% mais ricos ganham 13,4 vezes mais que os 40% mais pobres. Apesar da disparidade ainda absurda, essa é a menor diferença registrada desde 2012. Em 2018, por exemplo, a razão era de 17,8 vezes.

Ricos ainda acumulam muito mais

O cenário melhora também, pelo menos estatisticamente, quando se observa o 1% mais rico da população: em 2024, esse grupo recebeu, em média,  R$ 21.767 — o equivalente a 36,2 vezes a renda dos 40% mais pobres. No ano anterior, essa diferença era ainda maior: 39,2 vezes. Segue ruim, mas melhorando.

Por outro lado, na prática, a desigualdade ainda molda o cotidiano de milhões de brasileiros. A renda per capita média nacional chegou a  R$ 2.020, o maior valor da série histórica. Mas a maior parte da população continua sobrevivendo com muito menos do que isso.

Ganhos cresceram mais entre os mais pobres — mas o abismo persiste

Entre os 40% com os menores rendimentos, houve aumento real de 9,3% em relação a 2023 — a renda subiu de  R$ 550 para  R$ 601. Já entre os 10% mais ricos, o crescimento foi menor: 1,5%.

Mas esse número, isoladamente, pode enganar. Na prática, 1,5% de  R$ 8.034 representa um aumento de  R$ 120,51 por pessoa. Já os 9,3% sobre R$ 550 significaram apenas  R$ 51,15 a mais para quem tem menos. Ou seja, mesmo crescendo mais em termos proporcionais, os ganhos da base ainda não conseguem alcançar um padrão digno de vida.

O que explica essa “melhora” na base da pirâmide

De acordo com o IBGE, três fatores principais explicam a redução da desigualdade:

mais pessoas empregadas, com aumento no rendimento médio do trabalho;

reajustes no salário mínimo, acima da inflação;

ampliação dos programas sociais, como o Bolsa Família, com valores mais altos.

Entre 2019 e 2024, o crescimento da renda entre os mais pobres foi expressivo especialmente nas regiões Norte (54,7%) e Nordeste (51,1%). Ainda assim, em valores absolutos, o Nordeste continua com a menor renda per capita do país:  R$ 408 por pessoa. No topo está a região Sul, com  R$ 891.

Realidade ainda pesa

Apesar dos avanços, a desigualdade no Brasil continua gritante. Cerca de 40% da população vive com R\$ 601 por mês, valor que não cobre sequer o custo de uma cesta básica em boa parte do país.

Segundo o Dieese, em abril de 2024 o valor médio da cesta básica nas capitais brasileiras era de R\$ 775,00. Isso significa que uma família na base da pirâmide não consegue comprar nem o essencial para se alimentar durante o mês, mesmo somando toda a renda.

É verdade que os dados de 2024 mostram um pequeno alívio estatístico. Mas, na prática, a maioria dos brasileiros ainda enfrenta uma luta diária para sobreviver. É um passo importante — mas ainda muito distante do que se pode chamar de justiça social.

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