Sindicato do Bancários Bahia/Julia Portela
O domingo de democracia na Bahia começou marcado por denúncias que colocam em alerta o direito da população ao voto. Em Salvador, sob a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil), opositor da reeleição presidente Lula, ao menos 75 ônibus do transporte público foram impedidos de sair das garagens. Também há relatos de veículos que passam direto pelos pontos onde estão eleitores identificados com Lula. A redução da frota provocou reclamações nas ruas, nas estações e nas redes sociais, levantando suspeitas de interferência no deslocamento dos eleitores. O Sindicato dos Jornalistas da Bahia acompanha a situação com registros aéreos feitos por drone, que mostram ônibus parados nas garagens.
Diante das denúncias de redução superior a 50% da frota em circulação, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou a Justiça Eleitoral. O TRE-BA (Tribunal Regional Eleitoral da Bahia) determinou o restabelecimento imediato da frota integral, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros. A decisão prevê multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento para o município e para cada empresa responsável pelo transporte público. A Semob (Secretaria Municipal de Mobilidade) informou que a operação estava sendo normalizada após diálogo com representantes sindicais. Cabe à prefeitura garantir o funcionamento do serviço e esclarecer os fatos diante da gravidade das denúncias.
Também chegam relatos de usuários da lancha que faz travessia marítima Salvador–Mar Grande sobre demora e longas filas de espera, dificuldades que podem comprometer o deslocamento de eleitores. Em um dia fundamental para a democracia, restringir ou dificultar o acesso às urnas é uma ameaça ao direito de escolha da população e exige apuração rigorosa.

