A Polícia Federal (PF) apreendeu sete armas do deputado federal Mario Frias (PL-SP) ao cumprir mandados de busca e apreensão contra ele durante uma operação realizada na manhã desta quinta-feira, 10.
Frias é alvo de uma operação chamada ‘Make Up’, que apura suposto desvio de emendas parlamentares para o filme ‘Dark Horse’, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado foi produtor-executivo e roteirista da obra.
As armas foram encontradas em endereços ligados ao parlamentar. Segundo o UOL, também foram apreendidos computadores e celulares que serão analisados pelos investigadores.
A PF vai apurar se Frias cometeu crime de posse ilegal de arma de fogo. Apesar de estarem registradas no nome do deputado, as armas foram encontradas em outro endereço, diferente do declarado por ele.
Outro alvo da operação da PF
O outro alvo é Karina Ferreira da Gama, dona do ICB (Instituto Conhecer Brasil) e produtora do filme.
Os agentes cumprem 49 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação aponta que dados financeiros indicaram a “movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”.
São investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
PF está apurando envio de R$ 2 milhões em emendas de Frias ao ICB, além de possíveis contratações fraudulentas e retrodatação de documentos.
Investigações sobre Dark Horse
Atualmente há duas investigações em curso sob a supervisão de ministros do STF sobre Dark Horse. O caso que está com Flávio Dino se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme.
Já um outro inquérito, sob a relatoria de André Mendonça, examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro e o percurso desse dinheiro.
Financiamento de ‘Dark Horse’
O site The Intercept Brasil revelou, em maio, uma troca de mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, cobrava dinheiro do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair.
De acordo com a reportagem, Vorcaro pagou ao menos R$ 61 milhões em 2025. O site disse que o dinheiro foi transferido para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio.
Delação homologada
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou, na quarta, 9, o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro.
Ele é dono da Entre Investimentos, a empresa que, a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fez repasses para Dark Horse. O dinheiro foi pedido a Vorcaro por Flávio Bolsonaro.
A delação ou colaboração premiada é um meio de obtenção de provas nas investigações criminais. Nesse recurso, o investigado se dispõe a cooperar com o processo e a investigação. Em troca, o Estado pode dar benefícios a ele, como redução da pena em caso de condenação.
Em sua delação, assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, o empresário afirmou que era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. O dinheiro era entregue em malas e, segundo ele, seria usado para pagamentos de propina.
De acordo com o blog da Andréia Sadi, do g1, Mineiro disse ainda que fez sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate nos Estados Unidos, que é administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.
As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.
A subscrição de cotas é um processo em que um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio, recebendo aporte de investidores.
Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia sido em maio de 2025. O pagamento de setembro, no valor de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação.
A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi usada no filme Dark Horse, como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parte foi destinada para outros fins, como bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.

