O presidente Lula (PT) cobrou explicações do Supremo Tribunal Federal (STF) após a crise sem precedentes que tomou conta da Corte nos últimos dias e em meio aos desdobramentos do Caso Master, que afetaram o ministro Alexandre de Moraes.
Em postagem no X (antigo Twitter), nesta quarta-feira, 9, o petista afirmou que o povo brasileiro “precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”.
Ainda conforme Lula, é preciso mais transparência e combater os vazamentos seletivos que impactam na campanha eleitoral. Ele relembrou o exemplo do que ocorreu na Operação Spoofing, conduzida pelo ex-ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski.
“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, disparou o presidente.
O que foi a Operação Spoofing?
A Operação Spoofing é uma investigação da Polícia Federal (PF) deflagrada em 23 de julho de 2019 com o objetivo de apurar a invasão hacker às contas do Telegram de autoridades brasileiras, incluindo procuradores da Operação Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro.
O termo spoofing refere-se à falsificação tecnológica usada para enganar sistemas, que permitiu aos invasores clonar os números telefônicos das vítimas para interceptar seus códigos de acesso ao aplicativo.
Um dos presos ao longo dos trabalhos, Walter Delgatti Neto, admitiu à PF que entrou nas contas de procuradores da Lava Jato e confirmou que repassou mensagens ao site The Intercept Brasil; ele disse não ter alterado o conteúdo e não ter recebido dinheiro por isso.
Investigadores dizem que os hackers tiveram acesso ao código enviado pelos servidores do aplicativo Telegram ao celular das vítimas para abrir a versão do aplicativo no navegador.
Sessão no STF é suspensa após Dino anular afastamento da cúpula da PF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu cancelar a sessão do plenário da Corte agendada para esta quarta-feira, 9.
A medida foi tomada poucas horas após o ministro Flávio Dino determinar a recondução imediata de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial.
A suspensão dos trabalhos ocorre em um momento de acentuada crise e divisão interna na Corte.
A crise no STF em vários atos
A crise que divide o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou força a partir das investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Relatórios da Polícia Federal reuniram mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, nas quais o empresário tratava de assuntos relacionados a investigações e buscava contato com o magistrado.
O caso ganhou ainda mais repercussão após vir à tona a existência de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes.
Até o momento, as informações divulgadas provocaram questionamentos sobre a relação dele com o empresário e sobre os limites de sua atuação em processos relacionados ao banco.
André Mendonça entra em ação
Relator de investigações relacionadas ao Banco Master e a outros casos que envolvem a Polícia Federal, André Mendonça passou a ocupar posição central no episódio.
O ministro determinou o levantamento do sigilo de documentos produzidos pela PF e, posteriormente, entrou em confronto direto com Alexandre de Moraes, que pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade e direcionamento de apurações.
O embate se agravou quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, sob a alegação de que relatórios teriam sido produzidos de forma irregular para subsidiar uma investigação contra ele.
A decisão foi posteriormente mantida pela Segunda Turma do STF, aprofundando a divisão dentro da Corte.
Fachin reage a Flávio Dino se manifesta
Diante da escalada do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, passou a atuar para tentar conduzir o episódio dentro dos mecanismos institucionais da Corte.
Em 2 de setembro, Fachin afirmou que caberia à Presidência preservar a integridade do Supremo e anunciou que adotaria as medidas necessárias após analisar os fatos.
No dia seguinte, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF prestassem esclarecimentos sobre as condutas questionadas.
O quadro se agravou novamente nesta quarta-feira, 9, quando Flávio Dino determinou a recondução de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos, sob o argumento de que o afastamento poderia comprometer investigações em andamento.

