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Exportações agrícolas: Brasil, de Lula, está prestes a ultrapassar EUA, de Trump, e chegar à liderança mundial

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Exportações Agricolas - Lula exibe alimentos produzidos pelas cooperativas do MST (Foto: Ricardo Stuckert)

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O Brasil está perto de ultrapassar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial nas exportações agrícolas. Em 2025, as vendas externas do agronegócio brasileiro alcançaram o recorde de US$ 169,2 bilhões, enquanto os embarques agrícolas norte-americanos somaram US$ 171 bilhões.

A possibilidade de mudança no topo do comércio global foi apontada nesta terça-feira (21) pelo jornal britânico Financial Times. Os dados oficiais dos dois países mostram uma diferença inferior a US$ 2 bilhões, embora as estatísticas nacionais adotem metodologias e classificações que não são necessariamente idênticas.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações brasileiras cresceram 3% em relação a 2024. O setor encerrou o ano com superávit comercial de US$ 149,07 bilhões.

Brasil se aproxima dos EUA com avanço sobre mercado chinês

A China ocupa posição central nessa virada. O país asiático comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, o equivalente a 32,7% das exportações do setor. O valor aumentou 11% em um ano.

Nos Estados Unidos, o movimento ocorreu na direção contrária. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostram que as vendas agrícolas norte-americanas para a China despencaram 66% em 2025, para US$ 8,4 bilhões. O país asiático caiu para a sexta posição entre os principais mercados do setor.

As disputas comerciais abertas pelo governo de Donald Trump contribuíram para acelerar a substituição de fornecedores. Diante das tarifas e da instabilidade nas relações com Washington, importadores chineses ampliaram compras de soja, carnes e outras commodities brasileiras.

O Financial Times avalia que essa mudança não deve ser tratada apenas como consequência das decisões de Trump. O Brasil construiu, nas últimas décadas, uma estrutura produtiva capaz de disputar mercados antes controlados pelos Estados Unidos.

Safras sucessivas ampliam vantagem competitiva do Brasil

Uma das vantagens brasileiras é a possibilidade de colher mais de uma cultura na mesma área ao longo do ano. Em Mato Grosso, principal polo produtor de grãos do país, parte expressiva das áreas de soja recebe uma segunda safra de milho ou algodão.

Esse modelo dilui custos com terra, máquinas e infraestrutura e permite que o produtor tenha receitas em diferentes períodos. Nos Estados Unidos, o inverno mais rigoroso limita a utilização das áreas agrícolas durante parte do ano.

O Brasil já ocupa a liderança mundial nas exportações de soja, carne bovina, carne de frango, café, açúcar e suco de laranja. O avanço também alcança o algodão e a carne suína, setores nos quais o país ampliou produção e participação no comércio internacional.

A produção brasileira de grãos na safra 2025/2026 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica, de acordo com o Ministério da Agricultura. No primeiro trimestre de 2026, as exportações do agro superaram US$ 38 bilhões, também um recorde para o período.

O crescimento conta ainda com crédito público e renovação de máquinas. Em junho, o governo Lula anunciou o programa Move Agricultura, com R$ 14 bilhões para financiar tratores, colheitadeiras e outros equipamentos.

Agricultura dos EUA perde mercados e depende de subsídios

Nos Estados Unidos, o valor das exportações agrícolas atingiu o pico em 2022 e recuou para US$ 171 bilhões em 2025. O Departamento de Agricultura atribui a queda à redução dos preços internacionais, à valorização do dólar e à mudança na demanda por produtos como soja e milho.

As importações norte-americanas, por outro lado, chegaram a US$ 212 bilhões. O resultado foi um déficit agrícola de US$ 41 bilhões, situação distante do período em que os Estados Unidos dominavam simultaneamente a produção, o comércio e a definição dos preços globais.

O governo norte-americano tenta compensar a perda de mercados com subsídios aos produtores e incentivos à utilização de milho na produção de biocombustíveis. A estratégia sustenta parte da renda rural, mas não recupera automaticamente clientes que estabeleceram contratos, portos e cadeias de abastecimento com o Brasil.

Infraestrutura e desmatamento limitam expansão brasileira

A possível liderança brasileira convive com gargalos. A distância entre áreas produtoras e portos eleva custos, provoca congestionamentos e aumenta a dependência de rodovias. Ferrovias, hidrovias e terminais de exportação avançaram nos últimos anos, mas ainda não acompanham integralmente o crescimento da produção.

A expansão agrícola também pressiona o debate ambiental. O avanço de lavouras e pastagens sobre áreas de vegetação nativa pode ampliar o desmatamento e criar barreiras comerciais em mercados que exigem rastreabilidade das cadeias produtivas.

A aproximação entre os números de 2025 não significa que o Brasil já tenha superado oficialmente os Estados Unidos. Ela mostra, porém, que a liderança norte-americana deixou de ser incontestável. Com safras sucessivas, produção recorde e acesso privilegiado ao mercado chinês, o Brasil passou a disputar o primeiro lugar do comércio agrícola mundial.

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