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TariFlávio: novo tarifaço de Trump a pedido do clã Bolsonaro entra na reta final

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Flávio Bolsonaro, em sua carta a Trump, busca realizar seu desejo de comandar O Conto de Aia brasileiro (Imagem criada por IA/Reprodução)

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O tarifaço de Trump contra o Brasil entra na reta final nesta quarta-feira (15), quando os Estados Unidos decidem sobre a imposição de novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos nacionais. A ameaça, lançada por Donald Trump a partir de 1º de junho, tem como pano de fundo uma investigação americana que questiona desde o desmatamento ilegal até o sistema de pagamentos Pix. O presidente Lula reuniu-se com ministros na última sexta-feira (10) para avaliar os cenários e reafirmou que o Brasil não fará concessões, ainda que mantenha a negociação até o último momento.

O que está acontecendo

A contagem regressiva começou. Na quarta-feira (15), encerra-se o prazo para a Casa Branca decidir se aplica ou não as novas tarifas sobre exportações brasileiras. A ameaça vem em duas camadas: 25% sobre produtos brasileiros em geral, proposta anunciada por Trump em 1º de junho após investigação que apontou desmatamento ilegal, pirataria e o sistema Pix como práticas restritivas ao comércio americano; e 12,5% adicionais, anunciados no dia seguinte para 60 países, incluindo o Brasil, por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado.

A equipe do presidente Lula trabalha com a confirmação das tarifas como o cenário mais provável. Há, no entanto, uma margem de expectativa: negociadores brasileiros avaliam que, mesmo no pior cenário, o Departamento de Estado americano pode incluir um anexo modificado na decisão sobre os 25%, ampliando a lista de exceções e aliviando o impacto sobre alguns produtos. Essa possibilidade, por ora, é tratada como esperança técnica, não como aposta política.

As negociações e a posição brasileira

Na última sexta-feira (10), Lula reuniu-se no Palácio do Planalto com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para mapear os cenários antes do prazo final.

Segundo relatos, o presidente reafirmou que o Brasil tem a obrigação de manter a negociação até o último momento, mas deixou claro que não fará concessões, especialmente as que envolvam o Pix.

Desde o encontro de Lula com Trump na Casa Branca, em maio, o governo brasileiro já se reuniu quatro vezes com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos EUA (USTR). Uma quinta reunião virtual ainda pode acontecer antes de quarta-feira, embora não esteja marcada.

A investigação americana, aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, classifica uma série de práticas brasileiras como “irracionais” ou restritivas ao comércio norte-americano.

Entre os alvos estão o Pix, que os EUA acusam de criar vantagem competitiva por operar sob regulação e gestão do Banco Central, e decisões de tribunais brasileiros sobre plataformas digitais, incluindo ordens de remoção de conteúdos e suspensão de perfis em redes sociais.

O enquadramento americano mistura política comercial com interferência direta em escolhas soberanas do Brasil sobre regulação tecnológica e financeira, algo que o governo Lula rejeita como premissa.

Tarifaço de Trump: impacto potencial e possíveis reações

A dimensão do problema é concreta. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos EUA podem ser afetados, entre eles açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio. A lista revela que o tarifaço não atinge apenas commodities de grande visibilidade, mas também insumos industriais com cadeias produtivas específicas e sem substitutos imediatos no mercado americano.

Esse último ponto tem gerado pressão dentro dos próprios Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que pedem a exclusão de produtos brasileiros da lista de sobretaxas, argumentando exatamente a ausência de fornecedores domésticos alternativos.

Se as tarifas forem confirmadas, a reação imediata do governo brasileiro será manifestar oficialmente “indignação” e classificar a taxação como “inaceitável”, na mesma linha das respostas já enviadas ao USTR durante a investigação. A partir daí, as equipes técnicas examinarão item a item da decisão para avaliar os próximos passos, que podem incluir o acionamento da Lei de Reciprocidade, aprovada em abril do ano passado e regulamentada por Lula, que autoriza o Brasil a retaliar países que imponham barreiras injustificadas às exportações nacionais.

O fator eleitoral na decisão americana

Por trás da frieza técnica das negociações, há uma leitura política que o governo Lula não esconde: a aposta é que Washington prefere aguardar o resultado da eleição presidencial brasileira de 2027 para só então calibrar como conduzirá as negociações com o Brasil.

Nessa lógica, a imposição das tarifas agora funcionaria menos como pressão comercial e mais como sinalização política, com os EUA deixando em aberto o relacionamento bilateral até saber quem governará o país a partir de 2027.

Apesar dos quatro encontros técnicos com Greer e do esforço diplomático para demonstrar que as acusações americanas carecem de embasamento, o governo federal vê como improvável uma vitória nas negociações neste momento. A avaliação interna é direta: a política industrial americana é feita com base em tarifas, e os EUA não fizeram concessões a nenhum país até agora.

Nesse cenário, a diplomacia brasileira avalia que Lula não deve tentar abrir um canal direto com Trump para buscar uma saída alternativa, ao menos por ora. A espera pela decisão de quarta-feira é, portanto, também uma espera pelo tamanho exato do problema que o Brasil terá de enfrentar.

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