desentupidoraok

Advogado, médico veterinário e servidora: quem é a família acusada de manter doméstica trabalhando 55 anos sem salário

dalva-e-nayara-fazem-parte-da-familia-alvo-da-auditoria-fiscal-do-trabalho-3332522-article
Dalva e Nayara fazem parte da família alvo da Auditoria Fiscal do Trabalho (Foto: Reprodução)

Compartilhe essa matéria:

A família acusada de manter uma mulher trabalhando por 55 anos sem receber salário é formada por aposentados e profissionais de diferentes áreas, entre eles um advogado, uma servidora pública, um médico veterinário e uma empregada pública. O grupo assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) após o resgate da trabalhadora, de 62 anos, em um condomínio de alto padrão no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. As informações são do g1.

De acordo com o acordo firmado com o MPT, os empregadores se comprometeram a regularizar os recolhimentos previdenciários referentes ao período reconhecido, pagar R$ 50 mil em verbas rescisórias, adquirir um imóvel para a trabalhadora e iniciar imediatamente o pagamento de salário e indenização.

Conforme o TAC, os empregadores são Paulo Martins Brasil e Aurora Dalva Bastos de Alencar Brasil, ambos aposentados; o advogado Paulo Martins Brasil Filho; a servidora pública Zaamarah Alencar Brasil Andrade e o marido dela, o médico veterinário Tiago Silva Andrade; além de Nayarah Alencar Brasil Magalhães, empregada pública.

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a mulher começou a viver com a família ainda na infância e permaneceu durante mais de cinco décadas exercendo atividades domésticas e cuidando das crianças da casa sem remuneração. A rotina começava diariamente por volta das 4h30, quando preparava o café da manhã da família e organizava a saída dos menores para a escola. Ao longo do restante do dia, realizava limpeza, preparo das refeições, organização da residência e seguia acompanhando as crianças.

Durante a fiscalização, uma das empregadoras afirmou aos auditores que a trabalhadora “(Ela) Foi dada pela mãe”. Conforme a coordenadora do Grupo Especial de Fiscalização Móvel para Erradicação do Trabalho Escravo Doméstico, Maria Neuzeli, a vítima viveu praticamente sem qualquer autonomia. Ela não sabe ler, nunca teve conta bancária, não mantinha contato com familiares, não possuía amizades fora da residência e jamais construiu uma vida afetiva.

“Ela vivia em uma prisão induzida. Não sabe se locomover na cidade, tem medo da violência lá fora. Ela se sentia ‘paga’ pelos trabalhos porque recebia roupa, comida e moradia. Mas a rotina dela ficava em torno das crianças”, afirmou a auditora. Ela também revelou que a vítima nunca teve vida pessoal. “Ela relatou que, nos idos de 1980, uma pessoa se aproximou dela, mas a família [exploradora] expulsou. Ela não tinha amizades no prédio, nunca foi à praia sozinha, por exemplo. Nunca teve vida pessoal.”

O caso veio à tona após uma denúncia anônima feita ao Disque 100. Embora tenha sido resgatada, a mulher continuará temporariamente na residência enquanto recebe acompanhamento da equipe psicossocial. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a decisão busca preservar a integridade física e emocional da vítima, que desenvolveu uma relação de dependência ao longo de décadas. Paralelamente, ela passará por um processo de escolarização e de reinserção social para reconstruir sua autonomia.

Mais lidas

No data was found