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MAUS-TRATOS DENTRO DE CASA: Violência financeira contra idosos dispara 30% e liga alerta para crimes dentro de casa

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A violência financeira contra idosos cresce e, na maioria das vezes, acontece dentro de casa. Saiba reconhecer os sinais e como denunciar (Foto: Shutterstock)

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As denúncias de violência financeira contra idosos dispararam quase 30% no Brasil, acendendo o alerta para um crime silencioso que acontece dentro de casa. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) mostram que denúncias registradas pelo Disque 100 indicam uma explosão de casos entre janeiro e abril deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, em 2025. O avanço revela como a exploração do dinheiro e dos cartões de pessoas com mais de 60 anos, muitas vezes por parentes próximos, destrói a autonomia e a dignidade na terceira idade.

Embora o aumento das notificações possa refletir maior conscientização e disposição para denunciar, especialistas avaliam que a violência patrimonial e financeira continua amplamente subnotificada. Em muitos casos, a vítima depende emocional ou financeiramente do agressor, teme represálias ou sequer reconhece que está diante de uma violação dos seus direitos.

Familiares e pessoas de confiança lideram a maioria dos casos de abuso

Diferente dos golpes aplicados por estelionatários desconhecidos na internet, grande parte da violência financeira contra idosos é praticada por pessoas próximas da vítima. As denúncias formais costumam envolver filhos, netos, cônjuges, cuidadores ou pessoas de extrema confiança. Esses indivíduos se apropriam de aposentadorias, pensões, benefícios socioassistenciais e do patrimônio construído pelo idoso ao longo da vida para uso próprio e sem qualquer tipo de autorização.

Entre as situações mais frequentes mapeadas pelas autoridades estão a contratação forçada ou fraudulenta de empréstimos consignados, saques recorrentes de contas bancárias, retenção intencional de cartões e senhas, além da pressão psicológica para a assinatura de procurações e transferência de bens. Como esses abusos acontecem em relações de confiança, muitas vezes permanecem ocultos por longos períodos.

Idosos em vulnerabilidade enfrentam maior risco diante de fragilidades de saúde

Pessoas idosas que apresentam limitações físicas ou cognitivas, dependência de terceiros para a realização de atividades cotidianas ou quadros de isolamento social estão no topo do grupo de risco da exploração financeira. A dificuldade natural ou patológica para administrar as próprias finanças também aumenta drasticamente essa vulnerabilidade.

Movimentações bancárias incomuns, retiradas frequentes de dinheiro, empréstimos incompatíveis com a renda histórica e alterações repentinas na titularidade de bens servem como sinais de alerta fundamentais para os demais parentes e órgãos de proteção.

Medidas de prevenção e leis mais rígidas são discutidas no Congresso

O crescimento das denúncias acontece em um momento que o Congresso Nacional debate o fortalecimento da proteção às pessoas idosas. Em abril de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou um substitutivo do Projeto de Lei (PL 1973/25), da relatora Flávia Morais (PDT-GO), que cria um programa nacional de combate à violência financeira contra idosos.
“A proposta é meritória e oportuna. Contudo, precisa de ajustes para se integrar ao plexo normativo e institucional de proteção aos direitos das pessoas idosas”, afirmou Flávia Morais.

A proposta prevê campanhas de conscientização, ações de educação financeira e uma participação ativa das instituições financeiras na identificação de operações suspeitas, agilizando a comunicação direta às autoridades de segurança pública. O texto seguirá para análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário da Câmara.

Prejuízo financeiro é acompanhado por graves consequências emocionais

A violência financeira afeta não apenas o patrimônio, mas também a saúde física e emocional das vítimas. Além de comprometer recursos destinados a despesas essenciais, como alimentação adequada, planos de saúde e moradia, medicamentos e moradia.

Esse tipo de abuso provoca profundas sequelas psicológicas, como crises de ansiedade, depressão profunda, sentimento de desamparo e perda da autoestima. O medo de romper os vínculos afetivos familiares faz com que muitas vítimas prefiram o silêncio ao relato do crime às autoridades.

Outro obstáculo é a dificuldade para denunciar. Muitos idosos evitam relatar a violência por receio de romper vínculos familiares, sofrer abandono ou prejudicar pessoas próximas. Em outras situações, não identificam determinadas práticas como formas de violência patrimonial.

Denúncias de violência financeira devem ser feitas pelos canais oficiais

A violência financeira contra pessoas idosas, assim como outras formas de violação de direitos, pode e deve ser denunciada. O principal canal é o Disque 100, serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania que recebe denúncias de violações de direitos humanos em todo o país.

Canais de denúncia e orientação

Disque 100: canal nacional de direitos humanos. A ligação é gratuita, pode ser feita de forma anônima e funciona 24 horas por dia.

Polícia Militar (190): deve ser acionada em situações de emergência ou quando houver risco imediato para a vítima.

Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (DEATI): unidade da Polícia Civil especializada em crimes contra pessoas idosas.

Ministério Público (MPBA): atua na proteção dos direitos e no acompanhamento das denúncias. Atendimento pelo telefone 127 ou pelo site oficial.

Defensoria Pública (DPE/BA): oferece assistência jurídica gratuita para pessoas em situação de vulnerabilidade. Atendimento pelo telefone 129.

Delegacia Virtual: permite registrar ocorrências pela internet, facilitando o acesso ao serviço.

Mais informações de contatos estão disponíveis neste link.

O que informar na denúncia

Quanto mais detalhes forem fornecidos, maiores são as chances de uma apuração rápida e eficiente. Sempre que possível, informe o nome da vítima, a idade aproximada, o endereço e pontos de referência que facilitem sua localização.

Também é importante identificar quem é o suposto agressor. Se souber, informe o nome, o vínculo com a vítima e se ambos moram na mesma residência. Explique como a violência acontece, com que frequência ela ocorre e qual é o tipo de abuso (físico, psicológico, abandono, negligência ou exploração financeira). Caso existam sinais visíveis, como lesões, desnutrição ou outras situações de risco, eles também devem ser mencionados.

A denúncia fica ainda mais consistente quando reúne informações que possam ajudar na investigação. Vale informar, por exemplo, se a vítima tem limitações cognitivas ou de mobilidade, indicar possíveis testemunhas (como vizinhos, familiares ou profissionais de saúde) e mencionar a existência de provas, como extratos bancários, documentos, receitas médicas retidas, fotografias ou outros registros relacionados ao caso.

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