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Bahia registra 11 amputações por diabetes a cada dois dias; especialistas alertam para prevenção

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Após amputações, AVCs ou internações prolongadas, recuperação depende de um processo de reabilitação (Foto: Arquivo/CORREIO)

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A cada dois dias, cerca de 11 pessoas têm um membro inferior amputado na Bahia em decorrência de complicações do diabetes. Entre 2012 e 2021, foram registradas 20.288 amputações relacionadas à doença no estado, segundo dados do Ministério da Saúde. O número reflete uma das consequências mais graves do diabetes, cuja incidência continua em crescimento no país.

Atualmente, cerca de 12,9% da população adulta brasileira convive com a doença. Nas últimas duas décadas, a prevalência do diabetes aumentou 135%, de acordo com o Ministério da Saúde.

Além de elevar o risco de doenças cardiovasculares e provocar alterações metabólicas, o diabetes pode causar sequelas incapacitantes, como o chamado pé diabético, principal responsável pelas amputações. A doença também está associada a limitações decorrentes de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e à perda de funcionalidade após longos períodos de internação. Entre idosos, o quadro costuma ser ainda mais delicado, com maior risco de quedas, perda de massa muscular, fragilidade física e redução da autonomia.

Segundo o médico geriatra Rafael Calazans, a perda gradual da sensibilidade nos pés favorece a evolução silenciosa de ferimentos que podem se tornar irreversíveis.

“O diabetes provoca uma perda progressiva da sensibilidade protetora nos pés. O paciente se machuca, não sente dor e o ferimento pode evoluir silenciosamente para infecções graves, que frequentemente resultam em amputações”, explica.

Recuperação exige atuação de diferentes especialistas

Especialistas ressaltam que o tratamento não termina quando o paciente recebe alta hospitalar. Após amputações, AVCs ou internações prolongadas, a recuperação da independência depende de um processo de reabilitação conduzido por diferentes profissionais.

Fisioterapeutas trabalham na recuperação da força muscular, do equilíbrio e da mobilidade. Terapeutas ocupacionais auxiliam na retomada das atividades do dia a dia, enquanto nutricionistas acompanham o controle da glicemia e psicólogos oferecem suporte emocional durante a adaptação às limitações impostas pela doença.

Para a fisioterapeuta Flaviane Ribeiro, coordenadora de Reabilitação da Florence, a intervenção precoce faz diferença no resultado do tratamento.

“A reabilitação é uma corrida contra o tempo para devolver funcionalidade e dignidade ao paciente. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes destacam a atuação multiprofissional como parte essencial do cuidado após a alta hospitalar, especialmente para pacientes que passaram por amputações, AVCs ou internações prolongadas”, afirma.

Ela também destaca que o retorno para casa é uma etapa crítica. Sem orientações adequadas, aumentam os riscos de quedas, complicações clínicas, descontrole da glicemia e novas internações.

“Quando a equipe multiprofissional e a família participam ativamente do processo de reabilitação, aumentam as chances de recuperação da autonomia e diminuem os riscos de reinternação”, conclui.

Celebrado em 26 de junho, o Dia Nacional do Diabetes reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo para evitar complicações que podem comprometer de forma permanente a qualidade de vida dos pacientes.

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