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Fafen é retomada em Camaçari e reforça produção nacional de fertilizantes

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Foto: Daniel Silva Ferreira

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A retomada das operações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), localizada em Camaçari, marca um novo capítulo para a indústria de fertilizantes no Brasil. A reativação da unidade integra a estratégia do Governo Federal de ampliar a produção nacional, reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança alimentar do país.

Com investimento de R$ 100 milhões, a planta tem capacidade para produzir 1,3 mil toneladas diárias de ureia, volume equivalente a cerca de 5% da demanda nacional. Além disso, a retomada das atividades deve gerar aproximadamente 900 empregos diretos e 2,7 mil indiretos.

Os fertilizantes nitrogenados são considerados insumos fundamentais para a produtividade agrícola brasileira. A fábrica havia sido hibernada pela Petrobras em 2019, durante o processo de desinvestimento da estatal no setor, mas voltou a operar em janeiro deste ano como parte do plano de reativação das plantas de fertilizantes no país.

Durante agenda oficial na Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância estratégica do agronegócio para a economia brasileira e defendeu o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes.

“O Brasil é um país agrícola, é um dos maiores produtores de alimento do mundo e não pode importar 90% do fertilizante de que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa produzir os fertilizantes de que a agricultura brasileira necessita”, afirmou o presidente.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também ressaltou a relevância da retomada da fábrica para o fortalecimento do setor agropecuário e para a segurança alimentar.

“Quando o presidente determinou a retomada dessas plantas, demonstrou visão estratégica e compromisso com a segurança alimentar”, declarou.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a ampliação da produção nacional de fertilizantes nitrogenados é estratégica para garantir maior autonomia ao país e apoiar o crescimento do agronegócio.

“Com as fábricas do Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Sergipe e da Bahia, vamos produzir 35% do fertilizante nitrogenado de que o Brasil precisa”, afirmou.

Histórico da retomada

O fechamento das fábricas da Bahia e de Sergipe foi anunciado em março de 2018, no contexto do plano de saída da Petrobras do setor de fertilizantes. As unidades foram hibernadas em 2019 e arrendadas à Unigel em 2020.

As plantas permaneceram sob operação da empresa até 2023, quando as atividades foram paralisadas devido à inviabilidade econômica relacionada ao preço do gás natural. No mesmo ano, a Petrobras decidiu retomar sua atuação no segmento de fertilizantes. Após acordo firmado com a Unigel, a estatal reassumiu as unidades em 2025.

A Fafen de Sergipe voltou a operar em dezembro de 2025, enquanto a unidade da Bahia retomou as atividades em janeiro de 2026. 

Dependência externa ainda preocupa

Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país, cenário que reforça a necessidade de ampliar a produção interna e diversificar fornecedores.

Com a operação conjunta da Fafen-BA, Fafen-SE e da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), a Petrobras projeta alcançar cerca de 20% do mercado interno de ureia. A expectativa é ampliar essa participação para aproximadamente 35% com a entrada em operação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS).

Plano Nacional de Fertilizantes

Lançado em 2022 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) tem como objetivo reduzir a dependência brasileira da importação do insumo, estimular a produção nacional e fortalecer a segurança alimentar.

Entre as metas do plano está o atendimento de 45% a 50% da demanda interna até 2050. O programa também prevê investimentos em tecnologias adaptadas às condições brasileiras, com foco em sustentabilidade, uso de nutrientes orgânicos e reaproveitamento de resíduos.

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