Um contracheque rasgado e a simbologia da luta pela valorização da educação representada na Câmara de Vereadores de Camaçari. Na manhã desta quinta-feira (9), professores da rede municipal ocuparam a Casa Legislativa para cobrar celeridade na votação do projeto que regulamenta o reajuste salarial da categoria.
No auge do protesto, a presidente do Sindicato das Professoras e Professores da Rede Pública Municipal de Camaçari (Sispec), Sara Andrade, teve o contracheque — utilizado como prova da defasagem salarial — retirado de suas mãos, rasgado pelo vereador Jamesson (PL) e, em seguida, arremessado em direção ao seu rosto.
A ação gerou revolta entre os professores presentes e ampla mobilização nas redes sociais. “O vereador Jamesson rasgou meu contracheque. Isso é uma violência, uma violência de um homem contra uma mulher. Eu quero que esta Casa se posicione”, cobrou Sara, no plenário.
Vídeos do episódio mostram o semblante de desdém e a reação considerada cínica do vereador, que ignora os protestos. Jamesson é relator da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara e tem sido apontado como o principal responsável pelo atraso na apreciação do projeto.
O ato foi interpretado como demonstração de falta de respeito e sensibilidade por parte do parlamentar diante da categoria, majoritariamente feminina. Em nota, o sindicato afirmou que o vereador “descumpriu o decoro esperado de seu cargo, cometendo um ato de agressão pessoal e simbólica em desfavor de toda uma categoria”.
Diante da repercussão, o Sispec divulgou uma nota de repúdio no fim da tarde, relatando o caso e exigindo que “medidas administrativas e judiciais cabíveis sejam aplicadas com o máximo rigor”.
Confira a nota na íntegra:
“O SISPEC manifesta público e veemente repúdio ao ato de violência praticado pelo vereador Jamesson contra a Professora Sara Santiago, Presidenta do Sindicato dos Professores, hoje, na Câmara Municipal de Camaçari.
Ao rasgar um contracheque e arremessá-lo contra o rosto da educadora, o parlamentar não apenas quebrou o decoro esperado de seu cargo, mas cometeu um ato de agressão pessoal, e simbólico em desfavor de toda uma categoria, inclusive majoritariamente feminina.
Esta conduta configura uma clara tentativa de intimidação de gênero e um profundo desrespeito à categoria dos(as) professores(as) e à democracia.
Não aceitaremos o autoritarismo e a violência como resposta ao diálogo social. Prestamos nossa total solidariedade à Professora Sara e exigimos que as medidas administrativas e judiciais cabíveis sejam aplicadas com o máximo rigor”.
NOTA DO JCFF
O comportamento incompatível com a dignidade da Câmara de vereadores desta cidade, por parte deste vereador que, inclusive, em 2024, no plenário da Casa, exibiu uma peça intima feminina para afrontar colegas, os acusando de terem ‘se vendido’, “dinheiro na mão, calcinha no chão”, disse na época, desmerecendo, descaradamente, a figura da mulher, já passou da medida.
Ele sabe, porém, que não sofreria uma cassação por quebra de decoro, uma vez que tem, por regra (mas quem sabe?), a maioria dos votos da casa a seu favor e o quórum para tal não seria alcançado; e por isso segue com essa conduta deplorável, seja contra quem seja e diante de quem quer que for. Só não se sabe até quando. Talvez até a lagartixa dessa pessoa bater com a cabeça no pau errado.
Nota de repúdio publicada pela SISPEC na rede social
Nota de repúdio publicada pela SIMMP na rede social

