” border=”0″ alt=” Segundo dia do julgamento, Supremo Tribunal Federal, do núcleo central da tentativa de golpe de Estado (Foto: Luiz Silveira/STF)” title=” Segundo dia do julgamento, Supremo Tribunal Federal, do núcleo central da tentativa de golpe de Estado (Foto: Luiz Silveira/STF)” />
O segundo dia do julgamento do núcleo central da tentativa de golpe de Estado deixou claro que os generais acusados vão se defender mesmo que isso signifique lançar Jair Bolsonaro à fogueira. As sustentações orais desta quarta-feira (3), na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), mostraram uma estratégia comum: salvar a própria pele, confirmando que havia um ambiente golpista no Planalto, mas atribuindo ao ex-presidente a responsabilidade final.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando a ministra Cármen Lúcia interpelou o advogado Andrew Farias, defensor do general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa. Ela questionou: “Vossa senhoria cinco vezes disse que o seu cliente estava atuando para demover o presidente da República. Demover de quê? Porque até agora todo mundo disse que ninguém pensou nada”.
O advogado não hesitou: “Demover de adotar qualquer medida de exceção. Atuou ativamente e há provas nos autos”. A resposta admitiu, pela primeira vez de forma explícita no julgamento, que Bolsonaro cogitava medidas inconstitucionais e que generais atuavam para contê-lo.
Estratégia de afastamento
A defesa de Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, alegou que ele havia se afastado do núcleo duro de Bolsonaro após a entrada do Centrão no governo, perdendo influência sobre o presidente. Já os advogados de Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira insistiram em descredibilizar a delação do tenente-coronel Mauro Cid, classificando-o como “irresponsável” e insinuando que teria delatado sob pressão da prisão.
Mesmo assim, ao tentar minar Cid, as defesas acabaram reforçando o cenário de conspiração. O próprio advogado de Paulo Sérgio reconheceu a entrega de um rascunho de discurso de pacificação a Bolsonaro — gesto que só faria sentido diante da iminência de uma ruptura.
Bolsonaro isolado
Na contramão dessa estratégia, a defesa de Bolsonaro tentou desacreditar Cid e argumentou que o ex-presidente teria sido “dragado” aos atos de 8 de janeiro. O advogado Celso Vilardi chegou a dizer que não conhecia “a íntegra do processo” e insistiu que não havia provas de que Bolsonaro tivesse articulado um golpe.
O contraste entre as falas, no entanto, expôs o isolamento político de Bolsonaro: enquanto ex-ministros tentam se apresentar como freios à intentona golpista, o ex-presidente aparece como único disposto a levar a ruptura adiante.
O que vem pela frente
O julgamento será retomado na próxima terça-feira (9), quando os ministros da Primeira Turma começam a decidir se os réus serão condenados ou absolvidos. A expectativa é que as penas sejam definidas na sexta-feira (12).
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