” border=”0″ alt=”Setor de apostas online no Brasil cresceu de forma vertiginosa nos últimos anos (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)” title=”Setor de apostas online no Brasil cresceu de forma vertiginosa nos últimos anos (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)” />
O depoimento de Luiz Mário, ex-coordenador de eventos de Camaçari, sobre sua luta contra a compulsão por apostas online colocou de volta em debate na cidade um problema crescente no país inteiro: o vício em jogos digitais. Em vídeo publicado nesta terça-feira (30) no Instagram, ele detalhou os impactos do vício e fez um alerta a quem considera essas apostas inofensivas. Sua voz se soma a um crescente coro de preocupação com a expansão das plataformas de apostas no Brasil, que já pode ser considerada uma epidemia.
O crescimento das apostas online e o impacto social
O setor de apostas online no Brasil cresceu de forma vertiginosa nos últimos anos. Entre 2021 e abril de 2024, o mercado expandiu 734,6%, e em 2025 o faturamento alcançou R$ 17,4 bilhões, muito desse dinheiro retirado de famílias pobres, com a falsa esperança de ganhos rápidos.
Mais de 32 milhões de brasileiros já apostaram online, sendo que 25 milhões participaram de apostas esportivas apenas nos sete primeiros meses de 2024. Desses, cerca de 11 milhões apostam de forma que compromete saúde e finanças. Para se ter uma ideia desse número, é como se toda população do Rio Grande do Sul, que tem 11,2 milhões de habitantes, estivesse viciada em jogos de aposta.
O impacto social é profundo: endividamento, crises emocionais, isolamento social e substituição de atividades saudáveis são consequências frequentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o vício em jogos — ou ludopatia — como transtorno de saúde pública desde 2018, comparando seus mecanismos de dependência aos de álcool e drogas.
Mais do que isso: famílias destruídas, vidas perdidas. Nas redes sociais, há dezenas de relatos de pessoas cujos entes queridos cometeram suicídio, deixando pai, mãe, filhos, irmãos, após perder tudo em jogos de apostas online, do tipo “jogo do tigrinho”.
O vício não tem perfil único: pessoas de todas as idades, classes sociais e gêneros podem ser afetadas, mas aqueles com histórico de depressão, ansiedade ou baixa autoestima são mais vulneráveis. O que começa como uma “brincadeira baratinha” pode escalar rapidamente, afetando finanças, relações familiares, vida social e saúde mental.
Feito para viciar
Não é por acaso que os jogos de apostas online causam tanto estrago. Eles são projetados para explorar mecanismos psicológicos e neurobiológicos, tornando a dependência quase automática:
Reforço intermitente: os ganhos são imprevisíveis, mantendo o jogador preso à expectativa de ganhar na próxima tentativa. O cérebro libera dopamina não apenas ao ganhar, mas na antecipação do prêmio, criando um ciclo vicioso.
Ilusão de controle: jogos como roletas e “joguinho do tigrinho” dão a falsa sensação de que habilidade ou estratégia podem influenciar o resultado, mesmo sendo puramente aleatórios.
Publicidade e acessibilidade: a facilidade de acesso via smartphones e a presença constante de influenciadores digitalizam e glamourizam as apostas, diminuindo a percepção de risco. Some-se a isso, a publicidade massiva via anúncios, que aparecem em todos os lugares, desde estádios de futebol a sites de notícias.
Fuga emocional: para muitos, o jogo funciona como uma forma de escapar de ansiedade, depressão ou tédio, gerando alívio temporário, mas aumentando a dependência psicológica. Até mesmo as cores e imagens usadas nos jogos são escolhidas para produzir um sentimentos que vão induzir o vício
Vítima desse mecanismo cruel, Luiz Mário alerta: “Ninguém joga com responsabilidade. Você começa jogando pouco e sempre vai aumentando, tentando recuperar o que você colocou. Então evitem ao máximo esse jogo de BET… porque há um caminho sem volta.”
Para quem, assim como Luiz Mário, está sofrendo com a dificuldade de abandonar esses jogos, buscar ajuda é essencial. Não é fácil sair de um vício sozinho e não depende só de força de vontade. Se abrir com amigos e familiares e buscar apoio profissional é essencial.
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