banner_vacinareumatodeamor_728x90px-1

Entre a guerra e o subsídio: o desafio do governo para baixar o gás de cozinha

gas-mais-barato-governo-reage-para-diminuir-preco-0138515000202604062159-ScaleDownProportional
Revendedora de gás (Foto: Raphael Muller/Ag. A TARDE)

Compartilhe essa matéria:

O início de abril foi pesado para o bolso do baiano. A Acelen, empresa de energia proprietária da Refinaria de Mataripe, reajustou em 15,3% o preço do gás de cozinha. Com o aumento, o consumidor pode desembolsar até R$ 165 para adquirir um botijão.

Tentando reverter esse cenário, o Governo Federal anunciou nesta segunda-feira, 6, um novo pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada do preço do petróleo causada pelo conflito no Oriente Médio.

Em relação ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o governo informou que haverá uma compensação relativa à diferença entre o preço nacional e o internacional, que será coberto por uma subvenção de até R$ 850 por tonelada para o produto importado.

Dúvida na Bahia

Procurada pelo portal A TARDE para saber se a medida do governo vai impactar no preço do botijão de gás na Bahia, a Acelen não respondeu. O espaço segue aberto.

Quando anunciou o reajuste na semana passada, a detentora da Refinaria Mataripe informou que os preços dos produtos seguem critérios de mercado, que levam em consideração variáveis como custo do petróleo adquirido a preços internacionais, dólar e frete, podendo variar para cima ou para baixo.

Robério Souza, presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (Sinrevgas), informou para a reportagem que o consumidor irá encontrar o gás mais caro, em torno de R$ 8 a R$ 10.

Antes do aumento, o preço do botijão variava entre R$ 125 e R$ 155 em Salvador. O que significa que, com a estimativa, o valor pode chegar a R$ 165.

O preço médio do GLP disparou no mercado internacional desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã no Oriente Médio, de forma que importadores do produto no Brasil estariam pagando hoje um valor 60% superior ao que pagaram na semana anterior ao início do conflito.

O que diz o especialista?

O diretor de Novos Negócios da Refina Brasil, Matheus Soares, explica que, até o momento, o debate sobre a Medida Provisória do governo Lula (PT) segue ainda “no campo das ideias”.

“As medidas são interessantes, elas são importantes, mas elas hoje estão no campo das ideias, porque a medida provisória não foi publicada”, iniciou o diretor.

Apesar disso, o governo, por meio do Ministério da Casa Civil, informou nesta terça-feira, 7, que o documento será publicado ainda hoje em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

O especialista, por sua vez, ainda demonstrou preocupação sobre a questão das exportações do diesel marítimo diante da guerra no Oriente Médio.

“Esse imposto de exportação acabou recaindo também sobre o diesel marítimo, que nada tem a ver com o diesel usado para transporte terrestre. Isso é especialmente problemático porque o diesel marítimo é um produto que sobra”, afirmou ele, segundo Soares, o combustível precisa ser exportado para não travar a operação das refinarias.

O gás de cozinha e a política de preços da Petrobras

Durante conversa, Soares diz esperar que o novo pacote de medidas “seja suficiente para baixar [o preço]” do gás de cozinha. Mas, cita a estratégia de preços da Petrobras referente ao GLP.

“Quando a gente olha para os preços da Petrobras, o GLP sempre foi o produto que manteve o patamar de preços mais alinhado com o mercado internacional. A Petrobras preferia fazer, dar o subsídio ou fazer a depassagem de preços na gasolina e no diesel, não podendo precisar o porquê, mas isso quando você faz o levantamento histórico de preços você identifica essa questão”, declarou Soares.

Outros combustíveis

Na ocasião, o governo também anunciou subsídios para o diesel e querosene de aviação. Foi criado uma subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel, com divisão igual de custos entre União e estados. O benefício será válido inicialmente por dois meses e pode chegar a R$ 4 bilhões.

Também foi anunciada uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com custo estimado de R$ 3 bilhões mensais. Em ambos os casos, empresas deverão repassar a redução ao consumidor.

O pacote também prevê até R$ 9 bilhões em crédito para companhias aéreas, com recursos operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil.

Outra medida é a isenção do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, além do adiamento do pagamento de tarifas de navegação aérea.

Mais lidas