eduardo costa x ren junior.png” border=”0″ alt=”O ‘bispo’ Eduardo Costa, e o ‘cristão, esposo, pai e patriota’, e nas horas vaagas matador de trabalhador, Renê Nogueira Junior – Foto: Montagem CFF” title=”O ‘bispo’ Eduardo Costa, e o ‘cristão, esposo, pai e patriota’, e nas horas vaagas matador de trabalhador, Renê Nogueira Junior – Foto: Montagem CFF” />
Em uma mesma semana, dois casos chamaram a atenção o Brasil e expuseram uma realidade: a distância entre professar a fé cristã e vivê-la na prática, cada vez mais comum nesse país. De um lado, a situação tragicômica do ‘bispo’ Eduardo Costa, de 58 anos, que recebeu o apelido de “Pastor Hong” por parte dos internautas após flagrado caminhando de calcinhas e peruca loira pelas ruas de Goiânia, próximo a bares e motéis.
De outro, o crime bárbaro do empresário Renê da Silva Nogueira Junior, que se descrevia em sua biografia do Instagram como “cristão, esposo, pai e patriota”, mas foi preso em flagrante por assassinar friamente um gari que apenas fazia seu trabalho. Em que pese a discrepância do peso entre os dois casos, há um ponto em comum: a mentira, a hipocrisia, a dissonância entre o discurso e as ações, entre a identidade proclamada e a vida real.
A máscara do falso cristão
O bispo Eduardo Costa, após ser flagrado em trajes femininos e em uma situação… digamos… comprometedora, apresentou uma justificativa no mínimo curiosa: estaria realizando uma “investigação pessoal”. Até o fechamento deste editorial, já são pelo menos três vídeos do pastor, em dias e locais diferentes, com os mesmos trajes. Além disso, a ex-esposa dele teria relatado a sites de fofoca que o “lado B” da vida de Costa, que pregava condenação para os adúlteros, para os gays e os que ”vivem na lascívia”, teria sido o estopim para o fim da relação. Ainda que o ‘bispo’ não deva ser atacado por suas preferências pessoais, é fato que andar na noite, seminu, em trajes íntimos e femininos não é o comportamento adequado e esperado de um líder cristão.
Renê Junior, empresário de 47 anos, não hesitou em tirar a vida de Laudemir de Souza Fernandes, um trabalhador de 44 anos, simplesmente porque o caminhão de coleta de lixo “atrapalhava” seu caminho. A princípio, a arma foi apontada para a cabeça da motorista do caminhão; Laudemir morreu protegendo a vida da colega. Deixou esposa, filhos, família. O homem que se apresentava como cristão em suas redes sociais não demonstrou qualquer valor cristão ao descer de seu carro armado e efetuar disparos contra alguém que apenas cumpria seu dever.
Estes não são casos isolados. São exemplos recentes e gritantes de um fenômeno que se repete diariamente em nosso país: pessoas que usam o cristianismo como um rótulo, um distintivo social ou uma ferramenta de marketing pessoal, sem qualquer compromisso com os valores que essa fé representa, que tem teimado em aparecer nas redes fazendo esse desfavor a quem pensa em se render à Cristo.
O que diz a Bíblia sobre os falsos cristãos
Jesus foi extremamente claro quando disse em Mateus 7:16-20: Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.
Não há ambiguidade nessa passagem. O verdadeiro cristão é reconhecido não por suas palavras, não por suas declarações públicas, não por sua bio no Instagram ou por seu título eclesiástico, mas por seus frutos – suas ações, seu caráter, sua conduta diária.
O apóstolo Tiago reforça esse ensinamento de forma ainda mais contundente: (…)De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? (…) Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma (Tiago 2:14-17).
A mensagem é cristalina: não basta dizer-se cristão. É preciso viver como um.
Se você é um cristão sincero, que busca genuinamente viver os valores do Evangelho, este é um momento para reflexão. A proliferação de falsos cristãos não apenas prejudica a imagem da fé perante a sociedade, mas também confunde e desorienta aqueles que buscam referências autênticas. Ser sábio e estar atento a esses falsos ‘homens de Deus’, que ‘fabricam indivíduos perfeitos’ com seus discursos, para depois apedrejar na rua quem não consegue cumprir tais padrões, que nem eles conseguem cumprir ou se livrar dos próprios fantasmas, também é um mandamento bíblico. E a responsabilidade é individual. Não há inocentes em quem dá ouvidos a falsos profetas e falsos messias.
Somado a isso, há algo particularmente perturbador na forma como o cristianismo tem sido instrumentalizado no Brasil contemporâneo. Não se trata apenas de falhas morais individuais – todos somos imperfeitos e sujeitos a erros – logo a nenhum de nós cabe o lançamento de pedras. O problema é a transformação sistemática da fé em instrumento de poder, em ferramenta de manipulação, em escudo para comportamentos que contradizem frontalmente os ensinamentos de Cristo, provocando esses escândalos.
É hora de exercer o discernimento que a própria Bíblia – a bússola do crente, recomenda. Não se deixe enganar por aparências, por discursos inflamados, por demonstrações públicas de religiosidade. Observe os frutos. Observe as ações. Observe como essas pessoas tratam os outros, especialmente os mais vulneráveis e os que são “diferente” (?).
O cristianismo verdadeiro se manifesta no amor ao próximo, na compaixão, na humildade, na integridade – não em declarações vazias ou em performances públicas de falsa piedade. Jesus reservou algumas de suas palavras mais duras justamente para os hipócritas religiosos de seu tempo, os fariseus, que ostentavam uma religiosidade externa enquanto negligenciavam “a justiça, a misericórdia e a fidelidade” (Mateus 23:23).
No final, avaliando todo o exposto, não dá para concluir diferente de que se tratam essas pessoas, de indivíduos sem o menor temor de Deus, ou fracos de memória, se no mínimo um dia devem ter lido que o próprio Jesus deixou dito, e em quais casos se aplicaria que, (…)nem todo o que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mateus 7:21).
E sobre haver quem apoie ferrenha e incondicionalmente a falsidade em figura de gente – seja fora da religião ou dentro dela, pode ser que seja o caso do que diz a pensadora Paulínea Albertine: ‘Os opostos se atraem, mas os iguais se completam!’. E aí vai caber julgar somente a Quem um dia nos julgará.
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