
O ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, preso por agredir a namorada com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio de Natal (RN), denunciou ter sido agredido por agentes penitenciários na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, para onde foi transferido na última sexta-feira (1º).
Na noite do mesmo dia, Igor foi levado à Delegacia de Plantão da Zona Norte de Natal, onde registrou a ocorrência e prestou depoimento. Segundo ele, ao chegar à unidade prisional, foi colocado nu e algemado em uma cela isolada e agredido com socos, chutes, cotoveladas e spray de pimenta por policiais penais. Ainda de acordo com o relato, os agentes teriam dito que ele havia “chegado no inferno” e o aconselhado a se suicidar.
A denúncia gerou reação imediata da Secretaria da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte (Seap), que divulgou nota afirmando que adotou providências assim que tomou conhecimento dos fatos. “A Coordenadoria da Administração Penitenciária e a Ouvidoria do Sistema Penitenciário se deslocaram para a unidade prisional com o objetivo de averiguar os fatos e acompanhar o interno para registro de ocorrência na Delegacia de Plantão da Polícia Civil e exame de corpo de delito no Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep)”, informou o órgão.
A Seap explicou ainda que a defesa de Igor havia solicitado que ele ficasse em uma cela isolada por segurança, mas que a Cadeia Pública de Ceará-Mirim não dispõe de celas individuais. O ex-jogador estava anteriormente no centro de triagem da secretaria.
Preso em flagrante no último dia 26, Igor Cabral teve a detenção convertida em prisão preventiva após audiência de custódia. Ele vai responder por tentativa de feminicídio.
Cirurgia da vítima
Na sexta-feira (1º), a namorada agredida por Igor passou por uma cirurgia para reconstrução facial no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), em Natal. Segundo a unidade de saúde, a operação teve como objetivo “restaurar a forma e a função do rosto” da vítima, que sofreu múltiplas fraturas no rosto e na mandíbula em razão da brutal agressão.
O ataque foi registrado por câmeras de segurança do elevador e gerou comoção nas redes sociais. A vítima foi impedida de falar após as agressões e prestou os primeiros depoimentos por escrito. Em um dos bilhetes entregues à polícia, ela relatou: “Eu sabia que ele ia me bater. Então, não saí do elevador. Ele começou a me bater e disse que ia me matar.”
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

