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Depois do carnaval? O fantasma da reforma administrativa aterroriza o 1º escalão

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Prefeitura de Camaçari (Foto: Divulgação)

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Foi por um fio. O ano chegou ao fim, o novo já caminha um pouco, um novo ciclo está em andamento e a tão temida, e esperada, reforma administrativa ainda não aconteceu. O primeiro escalão da gestão do prefeito Luiz Caetano (PT), dormiu tranquila na virada de ano (?). Mas, a trégua foi por pouco tempo. O prefeito optou por não fazer mudanças antes de completar um ano de governo, no entanto, mudanças para depois do Carnaval são tida como certas.
Correntes internas brigam por mais espaço e poder, enquanto os “conselheiros” políticos orientam sobre a importância de “oxigenar a administração municipal para 2026”. A premissa é de menos erros e mais entregas.

Um governo prometido para ser construído em coletividade tem dessas coisas. Quem ajudou a compor a campanha vitoriosa de 2024 quer, naturalmente, opinar, mudar e imprimir sua imagem. E’, segundo os que especulam para baixo, a atual configuração de governo não estaria atendendo o proposto na campanha. Partindo disso, o que se sabe, e já era de se esperar, é que secretários, subs, coordenadores e titulares das autarquias estão sendo observados e avaliados de perto já há um tempo. Longe dos olhares públicos, as reuniões de governo tem sido em tom cada vez mais duro.

Desde junho de 2025, completados os primeiros seis meses de governo, rumores colocaram cabeças a prêmio numa tentativa precoce e convenientemente suspeita de ‘necessária oxigenação’ da gestão. Considerando o pouco tempo e os desafios de uma transição, mais experiente o prefeito foi comedido e não acatou os pedidos dos mais afoitos. Mas, a pauta volta mais uma vez à baila e há quem acredite que para esse início de ano, são necessárias mudanças “profundas” para garantir uma administração mais assertiva, por conta do “governo muito travado”, conforme uma fonte do CFF.

Dentre os bilhetes da mudança mais comprados, está o que leva à uma das vagas mais cobiçadas, a titularidade da Educação. Correntes políticas internas e grandes nomes da pedagogia local até tentaram destronar o secretário da pasta bem lá atrás, mas Márcio Neves, com seus projetos, inovação e número de votos que teve, deve continuar firme onde está.

Mas, na opinião de alguns, a mesma sorte pode não ter quem carrega a pasta de Administração. Com muitas críticas e desafetos, a servidora que assumiu a titularidade de uma das pastas mais estratégicas do município não tem sido um nome bem visto no governo. Fabiana Montenegro não estaria conseguindo se aproximar da população funcional, e nem conquistado a afeição dos colegas da pasta. Contudo, há quem defenda a secretária, a chamando inclusive de ”muito competente”.

A Sedec também não brilhou em um ano de grandes oportunidades. Vindo da articulação política e administrativa do governo federal, estadual e municipal, a instalação da BYD no município não foi bem aproveitada e a participação municipal nas primeiras contratações foi cercada de reclamações. Houve uma tentativa de aproximação com o comércio local e promoção do empreendedorismo, mas faltou publicidade sobre o tema e uma dose de política na gestão da pasta. Pode ter resultados, mas não é visível para a cidade.

Na titularidade de uma das secretarias mais cobiçadas, José Mário, vive entre cobranças políticas e a aprovação de sua atuação junto ao chefe. Com grandes recursos alocados, a pasta está esperando a hora de brilho aparecer – e a retomada da revitalização do Rio Camaçari é uma das apostas; conforme consta há R$ 100 milhões já licitados e outros R$ 125 milhões em processo de licitação. No mais, quem pediu ações da pasta com o fim ‘de vender o seu peixe junto a população’, ao longo do ano e não foi atendido, quer mudanças. Já o prefeito, que tem o secretário ‘noutra conta’, deve manter a técnica de Zé Mário e a expertise de Everaldo Siqueira, validando a dupla na pasta.

A atuação tímida da Secretaria da Mulher (Semu), pode ser relevada. Por ser uma secretaria sem recursos próprios, ganhando apelo político recentemente, a manutenção dos projetos e mobilização atende parcialmente a estratégia do grupo. Esse é o mesmo caso da Superintendência de Trânsito e Transportes (STT) e da empresa de limpeza pública, Limpec. Sem grandes entregas, aparecendo pouco, mas fazendo o simples e alinhados com a gestão.

A Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), deve sofrer alteração, no entanto essa secretaria não resiste com o básico. É necessário ordenamento e fluidez dos serviços. Foram muitos meses de atuação voltada exclusivamente para a manutenção da parte mais crítica em que a cidade se encontrava, porém, ademais disso sem imprimir até o momento, uma qualidade diferenciada de atendimento. Outra queixa é a ‘falta de comunicabilidade do secretário’. Também sem apresentar grande relevância, a Ouvidoria segue como uma incógnita, com o MDB pressionando o governo estadual pela manutenção do espaço na chapa majoritária e o diretório municipal cobrando mais espaço.

A Habitação começou patinando no gelo, com um relatório relâmpago e a divulgação de pareceres sem a anuência prévia do gestor. Seguiu com reclamações sobre a orientação dos inscritos no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) e não conseguiu implantar o mínimo feito na gestão anterior. A Cultura também iniciou sem grandes realizações, mas recuperou o fôlego no segundo semestre, com eventos na Cidade do Saber e parceria com outras secretarias.

Como na Educação, na Saúde também não se cogita mudanças. O motivo não estaria relacionado a números positivos e bons resultados apresentados, mas a tratativas estaduais e acordos políticos. Já a esquecida pasta de Turismo, está ganhando corpo e recursos, o que aumenta a cobiça e a possibilidade de uma briga mais acirrada pelo cargo. Inclusive, já há rumores de fogo amigo direcionado ao atual titular, Patrício Oliveira, que pode estar com os dias contados.

Porém, de todas, uma pasta é dada como certa para mudanças. Erros técnicos, falta de sinergia da equipe e o recente escândalo envolvendo a distribuição da Cesta de Natal, podem custar a titularidade da Sedes. Nos bastidores, se fala abertamente sobre a troca. Além do incidente envolvendo a ação de Natal, instabilidades no atendimento dos beneficiários de programas sociais, ausência de uma escuta ativa e rapidez na resolução de assuntos de urgência também estaria pesando na decisão.

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Sedur), também estaria na lista de corte, seguida pela Coordenação de Eventos.

Mas, justiça seja feita, o arrocho orçamentário pode até se esconder atrás da porta, mas da culpa ele não vai poder se eximir, que em alguns casos – quando não se trata dum jogador ruim de jogo mesmo, por causa dele é que a imagem do governo não está bem na opinião pública. Mas, bola cheia ou bola murcha, fato é que a previsão é de que no mínimo 40% do primeiro escalão da gestão sofra mudanças. Aliás, sobre quem fica, quem sai e quem muda de posição, já estaria decidido e, conforme levantou o CFF, Caetano já volta do carnaval com a tesoura na mão.

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